Leonor Vale trabalha a cerâmica a partir de uma relação muito próxima com a matéria, o território e os processos manuais. O seu trabalho nasce da observação das formas simples, das superfícies irregulares e das cores que fazem parte da paisagem alentejana, transportando esses elementos para objetos com uma linguagem contemporânea.
Cada peça é desenvolvida de forma lenta e cuidada. O barro é moldado e trabalhado à mão, permitindo que pequenas diferenças de textura, proporção e acabamento permaneçam visíveis. Em vez de procurar uma repetição perfeita, Leonor valoriza precisamente aquilo que distingue uma peça feita manualmente: a marca do gesto, a reação da matéria e as variações que surgem ao longo do processo.
Um trabalho marcado pela matéria

A cerâmica de Leonor Vale cruza funcionalidade e expressão artística. A sua produção inclui peças pensadas para o quotidiano, mas também objetos onde a forma e a textura assumem um papel mais escultórico.
Entre os elementos mais presentes no seu trabalho destacam-se:
- produção manual em pequenas séries;
- formas orgânicas e irregulares;
- tons naturais, terras e brancos quebrados;
- superfícies com textura e marcas do processo;
- peças utilitárias e objetos decorativos;
- forte ligação à paisagem e à matéria.
Taças, jarras, pratos e recipientes surgem lado a lado com formas mais livres, pensadas pela sua presença no espaço e não apenas pela função.
Entre tradição e contemporaneidade
As técnicas utilizadas por Leonor fazem parte de um saber antigo, mas são aplicadas com uma linguagem atual. Não existe uma tentativa de reproduzir peças tradicionais de forma literal. O interesse está antes em aproveitar o conhecimento do ofício e reinterpretá-lo através de proporções, acabamentos e formas contemporâneas.
Essa relação entre passado e presente é também uma das razões pelas quais o seu trabalho se enquadra naturalmente no universo do Mestre Valentim.
A tradição surge aqui como um ponto de partida, não como um limite.
Peças únicas, feitas para permanecer
Cada peça guarda pequenas diferenças que resultam diretamente do processo manual. Nenhuma superfície é exatamente igual a outra e a própria cozedura pode introduzir alterações subtis na cor, na textura ou no acabamento.
É precisamente nessa falta de uniformidade que reside grande parte da identidade do trabalho de Leonor Vale.
No Mestre Valentim, as suas peças representam uma forma de criação onde o tempo, a matéria e o gesto continuam visíveis. Objetos contemporâneos que mantêm uma ligação clara ao território e ao saber-fazer.